Economia regenerativa: por que o Brasil pode liderar esse movimento

4 min. de leitura 04.09.2025
Economia regenerativa: por que o Brasil pode liderar esse movimento

A restauração de solos degradados deixou de ser apenas uma pauta ambiental: hoje, está no centro da economia regenerativa, um movimento que integra inovação, impacto social e oportunidade econômica.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), 33% dos solos do planeta estão degradados, afetando mais de 3,2 bilhões de pessoas em segurança alimentar e meios de subsistência. No Brasil, a Embrapa aponta que 109,7 milhões de hectares de pastagens estão em processo de degradação de moderada a severa.

Esses números mostram a gravidade do desafio, mas também revelam a dimensão da oportunidade. O Brasil tem todos os elementos para liderar a transição rumo a uma economia regenerativa, que transforma crises ambientais em soluções inovadoras.

Economia regenerativa: a terra que conecta soluções

Falar de economia regenerativa é falar de um ponto de encontro entre os maiores desafios do século: segurança alimentar, acesso à água, mitigação das mudanças climáticas e tecnologias aplicadas ao campo.

Startups como a Genera Bioeconomia, que desenvolve soluções na Amazônia, já demonstram como ciência e inovação podem regenerar áreas degradadas e, ao mesmo tempo, gerar valor econômico.

A startup, que foi uma das selecionadas pelo Hub de Inovação Climática, transforma áreas degradadas na Amazônia em florestas produtivas, criando uma grande plataforma de ativos florestais não madeireiros, reduzindo custos e dando escala aos negócios da sociobioeconomia. Desta forma, produz em escala ativos amazônicos pouco explorados, origina créditos de carbono de restauração, digitaliza a floresta restaurada em NFTs registradas na blockchain e fomenta a agricultura regenerativa.

Grandes empresas também se movem nesse sentido. A Nestlé lançou iniciativas de restauração ambiental na Bahia e no Pará, em regiões de produção de café e cacau, reforçando que a regeneração da terra pode ser parte essencial das estratégias corporativas.

Investir em economia regenerativa: barreiras e oportunidades

O Brasil, com sua biodiversidade e extensão territorial, pode se tornar um laboratório vivo para a economia regenerativa. Programas como o Partnerships for Forests (P4F) provam que é possível unir conservação ambiental, geração de renda e investimento de impacto.

Mas ainda existem barreiras a superar:

  • acesso a financiamento para projetos inovadores,
  • apoio contínuo a startups regenerativas,
  • políticas públicas capazes de escalar soluções sustentáveis.

Nesse cenário, aceleradoras e ecossistemas de inovação como o Impact Hub têm o papel de conectar empreendedores, investidores e empresas que acreditam na transição regenerativa.

Rumo à COP 30: a chance do Brasil liderar a economia regenerativa

Com a COP 30 se aproximando em Belém, o Brasil tem uma oportunidade histórica: consolidar-se como líder global da economia regenerativa. Não apenas preservando sua biodiversidade, mas também exportando soluções de inovação socioambiental para o mundo.

É exatamente esse o debate que o próximo IM Talks quer promover.

Participe do IM Talks: um encontro sobre restauração da terra e economia regenerativa

O IM Talks é o espaço criado pelo Impact Hub para reunir lideranças, empreendedores e especialistas em torno da agenda regenerativa. Uma oportunidade de discutir como transformar a regeneração da terra em motor de inovação, impacto social e crescimento econômico.

Será na próxima quinta-feira, dia 11 de setembro, a partir das 9h30, no CIVI-CO, que fica na R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 445, em Pinheiros, São Paulo.

Painéis confirmados:

  • A terra como conectora de soluções: explorando o papel da restauração em cadeias como clima, biodiversidade e alimentação.
  • Restauração como impulso à nova economia: oportunidades para empreendedores e financiadores que querem gerar impacto real.

Conheça os palestrantes:

  • Paula Padrino Vilela (G20 GLI / UNCCD): Lidera programas globais de apoio a jovens ecoempreendedores e à economia da restauração da terra.
  • Catharina Vale (G20 GLI / UNCCD): Consultora de engajamento jovem no Brasil, especialista em articular diferentes atores em processos globais e locais.
  • Caio Franco (Mombak): Head de Políticas Públicas da Mombak, focado em restauração florestal na Amazônia e políticas públicas para startups inovadoras.
  • Iara Basso (P4F / Palladium): Especialista em desenvolvimento sustentável e soluções baseadas na natureza, com atuação em grandes projetos socioambientais.
  • Ana Júlia Ferreira (RADIX): Gerente de projetos e especialista em soluções de reflorestamento e Nature-based Solutions no Brasil e na Europa.

A entrada no evento é gratuita, mas é preciso se inscrever aqui.

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