O que o Impact Hub Floripa tem a ver com a “quebrada”? Conheça o PAQ e como apoiamos o projeto

8 min. de leitura 26.05.2025
O que o Impact Hub Floripa tem a ver com a “quebrada”? Conheça o PAQ e como apoiamos o projeto

O acesso a conhecimento em tecnologia e inovação ainda é um privilégio para poucos jovens. Não há dados específicos sobre o número de jovens de periferia estudando TI. No entanto, estudos indicam que a desigualdade socioeconômica afeta a participação dos jovens da periferia na educação superior, inclusive em áreas como tecnologia.

Dados gerais sobre jovens não estudando nem trabalhando (os chamados “nem-nem”) podem dar uma ideia da situação: uma pesquisa do IBGE mostrou que 10,3 milhões de jovens de 15 a 29 anos não estudavam nem trabalhavam em 2023, sendo a maioria deles (61,2%) pobres, com renda domiciliar per capita inferior a US$ 6,85 por dia.

Mas o projeto Prototipando a Quebrada (PAQ) vem trabalhando para mudar essa realidade, se firmando como uma potência de transformação social em Florianópolis. Criado para conectar juventudes periféricas ao ecossistema de tecnologia, o PAQ não é uma escola técnica nem um cursinho: é uma comunidade de aprendizagem autodirigida, na qual os jovens são os protagonistas da própria jornada.

Desde 2021, o PAQ mantém uma atuação próxima ao Impact Hub Floripa.

“A gente acompanhou o nascimento do PAQ no nosso programa Chamada de Impacto, que convidava as iniciativas socioambientais a virem para os nossos espaços de coworking e receberem uma sequência de mentorias para estruturar suas iniciativas e, com isso, terem mais chances de prosperar e ampliar o seu impacto. E o Jeff (Jeff Lima, fundador do PAQ) chegou com a ideia do projeto e aproveitou tudo o que tinha para aproveitar. Fez, de fato, as reuniões com os mentores, tomou café com muita gente, usou de um bom jeito as conexões proporcionadas pelo Impact Hub para ter conversas significativas de estruturação do que se tornou o PAQ. E com isso, cresceu, desenvolveu e trouxe para dentro do próprio coworking”, conta Márcio Cabral, sócio e diretor do Impact Hub Floripa.

Boa parte das turmas, atividades e encontros aconteceram dentro de unidades da rede, como o Passeio Primavera e o coworking da Pedra Branca. A influência do Impact Hub vai além do espaço:

“O relatório de impacto que entregamos em 2024 traz resultados que também pertencem ao Impact Hub, porque grande parte do projeto é construída aqui dentro, com apoio, estrutura e trocas que a gente tem com a comunidade”, destaca Pedro Tedaldi — o Ted —, cofundador do projeto.

Uma jornada que começa com a escuta

A estrutura dos programas do PAQ é pensada para acolher e desafiar. A Imersão, primeira etapa da jornada, expande a visão dos jovens sobre tecnologia, inovação e carreira, misturando conteúdos técnicos com desenvolvimento pessoal. Em 2024, foram 201 inscritos e 53 concluintes nas turmas, muitas delas acontecendo em parceria com o Impact Hub e empresas apoiadoras, como o Mercado Livre.

Já a fase de Aceleração é uma etapa autodirigida, em que os jovens escolhem suas trilhas em plataformas como Alura, Udemy e Rocketseat. A organização funciona como uma espécie de “escotismo tech”: a cada nova competência dominada, o jovem sobe de nível, com direito a camisetas coloridas que representam seu avanço. A metodologia se inspira em modelos de aprendizagem ativa e gamificada, e os próprios jovens, ao evoluírem, retornam como mentores da nova geração.

Experiências que conectam e expandem

Além das formações estruturadas, o PAQ oferece um conjunto de Experiências de Aprendizagem que conectam os jovens à vida real do mercado tech. Programas como o PAQ Explora levam os educandos a visitas técnicas, hackathons e eventos como Startup Summit e GopherCon. As rodas de conversa do PAQ Papos trazem voluntários e especialistas para trocas sobre carreira, diversidade, autoconhecimento e soft skills.

Outro destaque é o PAQ na Mente, que promove encontros com foco na saúde emocional e inteligência relacional, um cuidado essencial para quem vive contextos de vulnerabilidade.

Essas experiências reforçam o senso de pertencimento, a confiança e a visão de futuro dos participantes.

Onde tudo acontece: os CEAs

Todo esse processo se materializa nos Centros de Experiência de Aprendizagem (CEAs), ambientes físicos pensados para acolher, formar e integrar. Com computadores, internet de qualidade, área de socialização, alimentação e espaço de descanso, os CEAs são mais do que salas de aula: são centros de convivência e inovação.

A Unidade Primavera do Impact Hub Floripa é um desses ambientes, onde os jovens têm contato direto com profissionais do ecossistema, trabalham lado a lado com empresas reais e expandem suas redes de forma natural.

“A gente tem histórias de jovens que estavam ali, no espaço, conversando com empreendedores do coworking e de repente estavam contratados. O ambiente do Impact Hub ajudou a criar essas oportunidades reais”, conta Ted.

Números que contam histórias reais

Em 2024, o PAQ:

  • Manteve 80 jovens ativos em sua comunidade de aprendizagem

  • Impactou diretamente 417 pessoas e indiretamente mais de 10.000

  • Garantiu que 55% dos jovens estivessem empregados, sendo 60% em empresas de tecnologia

  • Criou projetos com impacto de gênero, como o Empower Her, focado em formar mulheres na área tech

  • Estruturou laboratórios de informática em organizações sociais e doou 100 notebooks em parceria com empresas da rede

Tudo isso só foi possível porque o PAQ funciona como uma ponte viva entre a “quebrada” e o asfalto, conectando talentos às empresas, à universidade, à autoestima e às oportunidades reais.

A força da parceria com o Impact Hub

O Impact Hub não é apenas parceiro institucional. Nós fazemos parte da história recente do PAQ. Seja como espaço físico de acolhimento e formação, seja como plataforma de visibilidade e articulação com o ecossistema de inovação e impacto de Santa Catarina.

“A gente gosta dessa parceria porque o Impact Hub é uma comunidade. A gente se inspira muito em como vocês funcionam e queremos construir algo nesse mesmo espírito coletivo, com identidade própria”, compartilha Ted.

Além disso, iniciativas como a rede de doações estruturada pelo PAQ, com mais de 150 equipamentos redistribuídos, e os rituais da comunidade (como os PAQNICs e o PAQ Compartilha) se fortalecem com o apoio e a cultura de colaboração fomentada dentro do Impact Hub.

“A gente não teria conseguido alcançar esse nível de entrega e impacto sem essa convivência com o Impact Hub, que é um suporte estratégico para o PAQ, apoiando ainda na divulgação institucional e na conexão com investidores, parceiros e mentores”, completa Ted.

E o futuro?

O PAQ quer agora ampliar sua frente de empregabilidade: lançar o “PAQ no Trampo”, fortalecer sua rede de ONGs associadas (que já conta com 28 instituições) e escalar seu modelo para outras regiões do país. A proposta é simples e poderosa: formar talentos onde há potência, e não privilégio.

“Muita gente fala em ecossistema de impacto, mas poucas organizações realmente constroem isso no dia a dia. O Impact Hub tem sido esse elo que permite que a gente conecte a ‘quebrada’ com o mercado”, conclui Tedaldi.

Para o Impact Hub, apoiar essa trajetória é também afirmar seu compromisso com a construção de ecossistemas mais diversos, humanos e transformadores. É gigante a diversidade de saberes que o PAQ traz para a nossa comunidade, quando coloca jovens da “quebrada” compartilhando o mesmo espaço com os demais empreendedores, proporcionando trocas em que todos ganham.

Além disso, pudemos oferecer ao projeto a mentalidade de negócios:

“Como nós temos conhecimento sobre desenvolvimento e estruturação de negócios de impacto, olhar para uma ONG nascente e trazer para ela um mindset de negócio, de impacto, muda o jogo desde o princípio. O Prototipando a Quebrada ainda se coloca como uma organização não governamental, mas ela é uma ONG com mentalidade de negócios e eu acho que isso faz bastante diferença para o universo das ONGs. Então, que a gente possa levar cada vez mais a metodologia de desenvolvimento de negócios de impacto e que esses negócios cresçam, se fortaleçam em uma infraestrutura de economia de impacto forte e grandiosa, que é o que a gente se propõe”, afirma Márcio Cabral.

Precisamos dos negócios de impacto, vivos, ativos. Precisamos de organizações sem fins lucrativos que já nasçam com esse olhar de organização, de gestão, de metodologia dos negócios para que as transformações que queremos ver acontecendo no mundo passem também por essas iniciativas. Participar disso e acompanhar o crescimento do PAQ nos faz sentir muito orgulho de caminhar junto.

Como apoiar ou se conectar

Empresas interessadas podem:

  • Contratar um jovem talento em formação

  • Apoiar com doações (computadores, infraestrutura etc.)

  • Oferecer mentorias, conexões e oportunidades

Acesse o Relatório de Impacto 2024 do PAQ e saiba mais sobre o projeto.

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