O Brasil já tem avanços importantes quando o assunto é inovação pública. O país conta com dezenas de laboratórios de inovação distribuídos em diferentes esferas de governo, possui um marco legal que abriu espaço para novas formas de contratação de soluções inovadoras e aparece entre as economias com maior maturidade GovTech do mundo.
Ainda assim, transformar esse potencial em mudança concreta no setor público continua sendo um desafio.
Na prática, o que muitas vezes falta não é intenção, tecnologia ou base legal. Falta conexão estruturada entre quem vive os desafios da gestão pública e quem pode desenvolver ou adaptar soluções para enfrentá-los.
É justamente com o objetivo de mudar isso que estamos inaugurando a Estação Pública Sapiens, iniciativa do Impact Hub Floripa, no Sapiens Parque, em Florianópolis. A proposta é criar um ambiente permanente de conexão entre governo, startups, empresas de tecnologia e instituições parceiras, com foco em acelerar a inovação pública de forma aplicada.
Um hub de inovação pública é uma estrutura criada para aproximar diferentes atores em torno dos desafios da gestão governamental. Ele funciona como um ponto de conexão contínua entre gestores públicos, GovTechs, organizações de apoio, especialistas e parceiros estratégicos.
Diferente de iniciativas pontuais, como eventos isolados ou programas temporários, um hub opera com permanência. Isso significa comunidade ativa, agenda estruturada, curadoria de conexões e mecanismos contínuos para desenvolver soluções, testar caminhos e gerar aprendizados.
Essa lógica é importante porque inovação pública não acontece apenas a partir de boas ideias. Ela depende de confiança, repertório compartilhado, interação frequente e espaços que sustentem o processo ao longo do tempo. A Estação Pública Sapiens nasce com esse papel.
Quem atua nesse campo conhece bem o cenário. De um lado, gestores públicos precisam responder a demandas cada vez maiores por eficiência, qualidade dos serviços, digitalização e melhor experiência para o cidadão. De outro, startups e empresas de tecnologia desenvolvem soluções com grande potencial de aplicação no setor público.
O problema é que esses dois lados ainda se encontram pouco e, quando se encontram, nem sempre possuem mediação, linguagem comum ou ambiente adequado para transformar conversa em implementação. Isso limita o aproveitamento de soluções, talentos e estruturas já disponíveis.
Nos últimos anos, o ambiente regulatório evoluiu. O Marco Legal das Startups (Lei Complementar 182/2021) trouxe instrumentos relevantes, como o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI), instrumento de compra pública para inovação que amplia as possibilidades de experimentação no setor público.
Ao mesmo tempo, redes e laboratórios de inovação seguem crescendo no país. A Rede InovaGov, da Enap, reúne 87 unidades de inovação ativas em diferentes esferas de governo.
Mas a incorporação dessas soluções à gestão pública ainda varia bastante conforme o órgão, o território e a capacidade de implementação. Muitas iniciativas dependem da mobilização individual de gestores que já conhecem os caminhos, dominam os instrumentos e têm acesso ao ecossistema certo.
O que falta, em muitos casos, é uma ponte permanente entre o problema público e a solução disponível.
A Estação Pública Sapiens foi estruturada para atuar em cinco frentes integradas, que se complementam ao longo da jornada de conexão entre governo e ecossistema de inovação.
O hub de inovação contará com um espaço físico de demonstração de soluções voltadas ao setor público. A proposta é oferecer curadoria ativa de tecnologias aplicáveis a municípios, estados e governo federal, permitindo que gestores conheçam ferramentas concretas, entendam usos possíveis e conectem essas soluções a desafios de suas áreas.
Nos primeiros doze meses, a meta é manter até dez soluções GovTech em demonstração.
A Estação Pública Sapiens também busca apoiar startups que desejam ampliar sua atuação no mercado público. Esse trabalho envolve mentorias, desenvolvimento técnico e conexões orientadas para a realidade da gestão governamental.
Na prática, o programa ajuda essas empresas a compreender melhor linguagem, dinâmica institucional, processos e exigências específicas do setor público. Isso reduz barreiras de entrada e aumenta a capacidade de diálogo com quem está do lado da gestão.
Outra frente do hub é a produção e curadoria de inteligência sobre inovação pública no Brasil e no mundo. O observatório acompanha tendências, casos, dados e referências que podem apoiar tanto a atuação de gestores quanto o desenvolvimento das GovTechs integradas à comunidade.
Esse repertório será compartilhado em uma newsletter bimestral e também deve alimentar a agenda de eventos e a construção de conexões qualificadas.
Ao longo do ano, a Estação Pública Sapiens promoverá encontros que reúnem gestores públicos, startups, parceiros estratégicos e mantenedores em torno de temas-chave de governo inteligente.
A proposta desses encontros é não apenas inspirar, mas também criar contextos de troca aplicada, apresentação de soluções e relacionamento estruturado entre atores que precisam trabalhar juntos para fazer a inovação acontecer.
Essa é a base que sustenta todo o modelo. O hub foi desenhado para operar como uma comunidade organizada em diferentes frentes, incluindo GovTechs, servidores públicos, instituições parceiras e mantenedores.
Cada perfil terá formas próprias de engajamento, relacionamento e geração de valor. Isso permite que a conexão não dependa apenas de momentos pontuais, mas se transforme em um processo contínuo de aproximação, articulação e construção conjunta.
A principal diferença entre um evento e um hub permanente não está no formato, e sim no tipo de resultado que cada um consegue gerar.
Eventos são importantes para abrir conversas, ampliar repertório e ativar redes. Mas, sozinhos, tendem a produzir conexões episódicas. Um hub permanente cria as condições para que essas conexões amadureçam.
É essa continuidade que permite avançar da conversa para o piloto, do piloto para uma parceria mais estruturada e, em alguns casos, para soluções com potencial de replicação em diferentes contextos públicos.
A Estação Pública Sapiens foi concebida com essa lógica. Entre as metas do primeiro ano estão:
A escolha de Florianópolis faz sentido dentro da proposta do projeto. A cidade está entre as líderes do Índice de Cidades Empreendedoras (Sebrae/Enap) no pilar de inovação, com um ecossistema consolidado de startups, universidades, empresas de tecnologia e instituições que fortalecem o ambiente empreendedor.
Nesse contexto, o Sapiens Parque oferece infraestrutura e densidade de conexões que favorecem a criação de um hub com vocação prática e capacidade de articulação.
Ao mesmo tempo, a ambição da Estação Pública Sapiens não é local. O hub nasce em Santa Catarina, mas foi desenhado para dialogar com governos e instituições de todo o Brasil. Isso inclui missões técnicas, conexões com redes institucionais como ENAP, FNP, FECAM e CNM, e presença em eventos de alcance nacional como o Startup Summit e o Impacta Mais.
A inovação pública gera resultados mais consistentes quando é sustentada por estruturas permanentes, que conectam atores, viabilizam experimentação e mantêm a agenda em movimento.
Nesse sentido, a Estação Pública Sapiens representa a criação de uma infraestrutura relacional para aproximar governo e ecossistema de inovação de forma permanente, prática e orientada a desafios concretos.
Para um país que já possui talento, tecnologia e instrumentos legais, esse tipo de ponte pode fazer toda a diferença.
Se você atua no setor público, em uma GovTech ou em uma organização interessada em fortalecer agendas de governo inteligente, vale acompanhar de perto essa construção.
A Estação Pública Sapiens é uma iniciativa do Impact Hub Floripa, organização que atua há maia de 10 anos conectando empreendedores, organizações e iniciativas orientadas a impacto.
O projeto é uma realização do Impact Hub Floripa, da Exxas Business e do LIDE SC, com apoio da Softplan, referência em tecnologia para o setor público brasileiro.
O lançamento será no dia 22 de abril, no Sapiens Parque, em Florianópolis, com dois momentos complementares. Pela manhã, a programação inclui workshop prático de inteligência artificial para servidores públicos e pitch reverso com gestores e startups. À tarde, será a cerimônia oficial de lançamento do hub, com painel de lideranças públicas, ativação do showroom e assinatura da rede de parceiros.
Para estar presente, faça sua inscrição gratuitamente. As vagas são limitadas.
8h às 12h: Workshop de IA e Inovação “Inteligência Aplicada ao Setor Público”
14h às 18h30: Estação Pública Sapiens: o Governo do Futuro Começa Aqui